Desmistificando o Transtorno Bipolar: Para além das oscilações diárias de humor
É comum ouvirmos na linguagem coloquial frases como: “Aquele meu amigo é super bipolar, de manhã está feliz e de tarde está de cara amarrada”. Esse uso indevido e superficial do termo acabou por criar um enorme preconceito e uma visão distorcida sobre o que é, cientificamente, o Transtorno Afetivo Bipolar (TAB).
O Transtorno Bipolar não se caracteriza por uma simples instabilidade de humor decorrente de um dia ruim. Ele é uma patologia psiquiátrica neurobiológica crônica, de forte base genética, caracterizada por alternâncias marcantes e persistentes entre fases extremas: a Mania (ou hipomania) e a Depressão, intercaladas por períodos de normalidade (eutimia).
Enquanto o humor comum oscila diante dos eventos da rotina, as fases do transtorno bipolar são ciclos profundos e de longa duração que alteram completamente a energia física, a velocidade de pensamento e a conduta do indivíduo.
Os Dois Extremos dos Ciclos de Humor
A bipolaridade se divide funcionalmente em dois polos opostos que alteram drasticamente a percepção e o funcionamento do cérebro:
Mania ou Hipomania
Estado de euforia ou extrema irritabilidade. Há uma redução drástica na necessidade de sono, pensamentos acelerados, fala rápida, planos grandiosos e propensão a comportamentos impulsivos e de risco.
Polo Depressivo
Falta profunda de energia, desinteresse absoluto pelas atividades cotidianas (anedonia), lentidão física, sentimentos exagerados de culpa e inutilidade, e alteração severa do padrão de sono.
O maior perigo do desconhecimento reside no fato de que muitas pessoas bipolares buscam ajuda médica unicamente durante a fase de depressão. Tratar um quadro bipolar apenas com antidepressivos comuns — sem o uso de medicamentos chamados **estabilizadores de humor** — pode provocar o que a psiquiatria chama de “virada maníaca”, piorando a instabilidade e os riscos do quadro.
Diagnóstico Rigoroso e Equilíbrio Biológico
O diagnóstico do Transtorno Bipolar é estritamente clínico e minucioso, exigindo a análise do histórico familiar e retrospectivo de vida do paciente. Felizmente, com o uso de estabilizadores de humor de última geração e psicoterapia de suporte, o indivíduo consegue ter o controle absoluto da estabilidade química cerebral.
Estabilizar o humor não significa “anestesiar” sentimentos, mas sim devolver ao paciente a estabilidade necessária para viver de forma contínua, estável e livre das flutuações extremas.